Manter um belo jardim em casa é coisa só de quem tem muito espaço e disponibilidade para cuidar dele, certo? Errado. O jardim do século XXI pode escalar paredes e se tornar uma opção viável em diversas situações: para disfarçar uma vista indesejável ou uma parede sem graça, para preencher com graça pequenos espaços, para dar menos trabalho na hora da manutenção. O jardim vertical, até então muito usado em fachadas de prédios comerciais, é um recurso cada vez mais usado por arquitetos e paisagistas também em projetos residenciais.
Uma das facilidades modernas para se manter um jardim que sobe pelas paredes é um sistema de irrigação automático, controlado pelo mesmo computador que pode acender e apagar as luzes, ligar ou desligar o ar-condicionado e abrir ou fechar as cortinas da casa. É assim numa residência automatizada na Barra da Tijuca, com plantas que formam um mural de 80 metros quadrados e circundam toda a área externa. O projeto é assinado pela paisagista Darcy Brouck, do Horto das Palmeiras, na Ilha de Guaratiba.
Com uma área de 175 mil metros varanda devassada de Beto Figueiredo no Alto Leblon quadrados, o Horto das Palmeiras se especializou em jardins verticais automatizados.
A paisagista Darcy Brouck explica que o primeiro passo para ter um jardim assim é revestir todo o muro ou parede com uma camada de fibra de coco, tipo um xaxim. Assim, as plantas podem ser presas diretamente neste mural, dispensando o uso de vasos e pregos para sua sustentação. Escondidos no mural, sobem tubos fininhos, que irão molhar as plantas através de um controle remoto. Dá para programar quantas vezes é preciso molhar as plantas durante o dia, dependendo se é verão ou inverno. O preço do sistema instalado, incluindo as plantas, varia entre R$ 2 mil e R$ 6 mil.
- Existem ainda sensores de chuva para que o sistema não seja acionado se o jardim já estiver sendo molhado - completa Darcy. - No caso da residência na Barra, usamos orquídeas, bromélias e completamos com folhagens.
No Alto Leblon, o paisagista Gilberto Elkis montou um "jogo de xadrez" na parede, com a planta tumbérgia-azul, num projeto assinado pela dupla Gisele Taranto e Izabela Lessa. Os quadrados, que ornamentam o muro e formam um painel verde de 49 metros quadrados, são presos por uma trama metálica. O jardim, instalado numa área de 110 metros quadrados, também é todo automatizado.
- Neste caso, o objetivo principal foi disfarçar a vista do muro do vizinho - explica Gisele.
A arquiteta Andréa Chicharo pensou na mesma solução para uma varanda que ficava muito devassada numa casa no Jardim Botânico, mas com um projeto mais simples. Ela resolveu fechar uma parte do teto com vidro temperado e cortina de PVC, e ergueu um "murinho" com tela e plantas, no caso, a tumbérgia.
No chão, escolheu piso de mármore bege Bahia. O resultado é um aconchegante cantinho de dez metros quadrados, que hoje funciona como uma extensão da sala de estar.
- O cuidado ali é dar uma podada de vez em quando e entrelaçar as pontinhas, para continuar tapando bem a tela - diz Andréa.
Os arquitetos Beto Figueiredo e Luiz Eduardo Almeida, da Ouriço Arquitetura, também criaram um espaço fechado dentro da varanda de um apartamento no Alto Leblon para não deixar mais o vizinho à vista.
Mas no lugar das plantas subirem pela parede com a ajuda de algum revestimento, a dupla, em parceria com a paisagista Tininha Mendes, espalhou placas de xaxim por toda a parede de madeira ripada. Dentro delas, há bromélias, ripsalis, chifre de veado, antúrio e eras.
- Falta de espaço não é motivo para não se ter um jardim - diz Tininha.
A arquiteta Cláudia Santos concorda.
Ela também bolou uma parede para criar um charmoso mini-jardim vertical num apartamento na Barra. A parede ripada, que esconde um pilar, ganhou duas prateleiras bem fininhas, para sustentar oito vasos de flores, entre orquídeas e bromélias.
- Pensei em prateleiras bem fininhas que nem aparecem muito.
Você só vê as plantas enfeitando a parede - explica Cláudia. - É bem simples, nada trabalhoso e faz uma bela vista.
Fonte: O Globo